Por: Romulo Pontes – Jornalista

O programa Hora e a Vez da Pequena Empresa recebeu José Roberto Caetano, redator-chefe da Veja e Veja Negócios, para uma entrevista sobre o cenário econômico e político internacional e seus reflexos no ambiente de negócios.

Durante a conversa, o jornalista analisou os principais fatores que influenciam a economia global, abordando as disputas entre as principais potências, os conflitos armados, as medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos e os desafios enfrentados pelo Brasil diante desse contexto. Ao tratar do cenário internacional, Caetano explicou que a atual configuração geopolítica é marcada pela disputa de influência entre Estados Unidos e China, enquanto a Rússia mantém relevância por seu arsenal nuclear e pela produção de matérias-primas. Segundo a análise apresentada, essas relações combinam concorrência e parceria comercial, criando um ambiente de elevada interdependência entre as economias. Na sequência, destacou que os conflitos em andamento ampliam esse quadro de incerteza. A guerra entre Rússia e Ucrânia permanece sem perspectiva de encerramento no curto prazo, enquanto o Oriente Médio continua registrando confrontos que ganharam novos desdobramentos com o envolvimento dos Estados Unidos. Para ele, a soma desses acontecimentos amplia os impactos sobre o comércio internacional, os investimentos e a estabilidade econômica. Outro ponto abordado foi a política comercial conduzida pelo presidente norte-americano Donald Trump. As medidas tarifárias anunciadas pelo governo dos Estados Unidos foram apresentadas como mais um elemento de instabilidade para a economia mundial. Na avaliação exposta durante a entrevista, todos os países sofrem algum tipo de impacto, inclusive o Brasil, embora determinadas circunstâncias possam gerar oportunidades específicas. Ao relacionar esse cenário ao ambiente empresarial, Caetano afirmou que empresas precisam lidar com fatores externos que afetam custos, inflação, investimentos e planejamento. Em um contexto de mudanças frequentes, decisões tomadas por governos e alterações nas relações comerciais podem modificar rapidamente as condições dos mercados. Questionado sobre as perspectivas para os próximos meses, explicou que não há elementos suficientes para prever uma estabilização no curto prazo. Embora algumas decisões possam ser revistas, conflitos internacionais, disputas comerciais e mudanças políticas indicam a permanência de um ambiente de incertezas. A análise também abordou o calendário político dos Estados Unidos. As eleições legislativas de meio de mandato foram apontadas como um fator capaz de alterar o equilíbrio entre Executivo e Congresso. O desempenho eleitoral poderá influenciar a condução das políticas adotadas pelo governo norte-americano e, consequentemente, produzir reflexos nas relações econômicas internacionais. O cenário brasileiro também foi incluído na discussão. Caetano lembrou que o país se aproxima de um novo processo eleitoral para a Presidência da República, governos estaduais e demais cargos eletivos. Nesse contexto, diferentes possibilidades de continuidade ou mudança de governo poderão influenciar a condução da política econômica e das relações internacionais. Durante a entrevista, também foi mencionada a mudança de orientação política observada em parte dos países da América Latina. A evolução desse movimento e a posição que será adotada pelo Brasil dependerão do resultado das eleições e das definições do próximo governo em relação aos principais parceiros internacionais. Ao comentar a reação dos mercados diante das transições políticas, o redator-chefe recordou situações em que expectativas iniciais foram modificadas após a formação dos governos e das equipes econômicas. A composição ministerial, as políticas fiscais e a condução das contas públicas costumam influenciar a percepção de investidores e agentes econômicos. Ressaltou que, independentemente das mudanças políticas, empresas continuam desenvolvendo suas atividades e precisam adaptar estratégias às condições de cada momento. Para isso, recomendou atenção permanente ao ambiente de negócios, identificação de pontos fortes, correção de fragilidades e acompanhamento constante das transformações econômicas. ASSIMPI amplia atuação para representar Micro e Pequenas Empresas de diferentes setores A Associação Nacional do Sindicato da Micro e Pequena Indústria (ASSIMPI) ampliou sua atuação para representar microempreendedores individuais (MEIs), Micro e Pequenas Empresas dos setores da indústria, comércio, serviços, produção rural e empreendedores informais. O anúncio foi feito pelo presidente da entidade, Joseph Couri, durante apresentação que relembrou a trajetória da representação dos pequenos negócios no Brasil, destacou a participação da associação em importantes conquistas para o segmento e apresentou as metas para os próximos anos. Ao apresentar a história da entidade, Joseph Couri lembrou que a atuação em defesa das Micro e Pequenas Empresas começou antes mesmo da criação do Sindicato da Micro e Pequena Indústria (SIMPI). Segundo ele, esse trabalho contribuiu para a inclusão, na Constituição Federal de 1988, do tratamento diferenciado destinado às Micro e Pequenas Empresas. Posteriormente, a Constituição do Estado de São Paulo também passou a prever esse tratamento, contexto em que foi criado o SIMPI. Anos depois, nasceu a Associação Nacional do Sindicato da Micro e Pequena Indústria (ASSIMPI), inicialmente voltada à representação do segmento industrial. Agora, a entidade amplia sua atuação para representar também microempreendedores individuais, Micro e Pequenas Empresas dos setores de comércio, serviços e produção rural, além de empreendedores informais que desejem integrar a associação. Couri também relembrou a participação da entidade nas discussões que antecederam a criação do Simples Nacional. O regime tributário representou um importante avanço para os pequenos negócios e, ao longo dos anos, foi ampliado para contemplar diferentes atividades econômicas. O presidente destacou ainda a criação da legislação do Microempreendedor Individual (MEI), implementada durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Conforme os dados apresentados, o Brasil conta atualmente com cerca de 16,8 milhões de MEIs formalizados. Somados às Micro e Pequenas Empresas, esse universo chega a aproximadamente 22 milhões de empresas com Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). Além disso, estima-se que existam cerca de 20 milhões de empreendimentos informais no país. Para a ASSIMPI, esse cenário reforça a necessidade de ampliar a representação dos pequenos negócios e fortalecer o diálogo com os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário na construção e no aperfeiçoamento de políticas públicas voltadas ao segmento. A proposta da entidade é oferecer orientação e apoio incondicional aos empreendedores e empreendedoras em diferentes áreas de atuação. A orientação do presidente Joseph Couri é direta quanto ao propósito da ampliação. “Se você hoje está em qualquer sindicato ou associação, fique lá. Se quiser vir para a ASSIMPI, venha também, mas não saia de onde você está”, afirma Couri, ao descartar qualquer intenção de substituir sindicatos ou entidades patronais já existentes. Entre as metas para 2026, a ASSIMPI pretende alcançar um milhão de novos associados. Para isso, a entidade está ampliando iniciativas voltadas à tecnologia e à inovação. Também foram anunciados novos departamentos dedicados aos temas de segurança cibernética e terras raras, como parte da estratégia de expansão de sua atuação. Rômulo Pontes – Jornalista