O futuro dos pequenos negócios liderados por mulheres: a economia da atenção e o desafio de manter o foco

Por Noscilene Santos

Vivemos uma época bastante curiosa. Nunca tivemos acesso a tanta informação, tantas oportunidades, cursos, ferramentas, aplicativos e soluções tecnológicas. Ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil fazer escolhas e manter o foco.

Basta abrir o celular pela manhã para sermos bombardeadas por mensagens, notificações, notícias, vídeos, ofertas, convites para eventos, tendências de mercado e promessas de crescimento acelerado. Tudo isso parece atrativo, mas também pode ser exaustivo.

Em meio a esse cenário, surge uma pergunta importante para as mulheres que lideram pequenos negócios:

Como permanecer relevante em um mercado que muda constantemente, sem perder a direção, a qualidade de vida e a própria essência?

A resposta pode estar em um conceito cada vez mais discutido por especialistas em comportamento humano e gestão: a Economia da Atenção.

A atenção se tornou um recurso valioso

Durante muito tempo acreditamos que o recurso mais importante dos negócios era o capital financeiro.

Hoje, a disputa acontece em outro território: a nossa atenção.

Empresas, redes sociais, plataformas digitais e sistemas inteligentes competem diariamente por alguns minutos do nosso foco. Quanto mais tempo permanecemos conectados, maior é a probabilidade de consumirmos conteúdos, produtos, serviços e experiências. 

O problema é que a atenção é um recurso limitado. Quando tentamos acompanhar tudo ao mesmo tempo, acabamos não aprofundando quase nada. O risco é começar uma ação, abandoná-la no meio do caminho para iniciar outra e, depois, mais outra…

Ganhamos exaustão. Perdemos o foco. E sem foco o resultado deixa a desejar.

O medo de ficar para trás

Nesse contexto surgem fenômenos comportamentais cada vez mais presentes.

O primeiro é o conhecido FOMO (Fear of Missing Out), que pode ser traduzido como o medo de perder oportunidades.

É aquela sensação de que todos estão avançando mais rápido, aprendendo mais, faturando mais ou utilizando uma tecnologia que você ainda não domina.

O segundo é o FEAR, o medo em suas diversas manifestações: medo de errar, de não acompanhar as mudanças, de não ser suficiente ou de perder espaço no mercado.

Quando esses sentimentos assumem o controle, a empreendedora corre o risco de viver em estado permanente de alerta. E quem vive reagindo a tudo o que aparece, dificilmente consegue construir uma estratégia consistente para o próprio negócio.

O excesso de oportunidades também pode ser um problema

Parece contraditório, mas nem toda oportunidade merece atenção.

Uma das competências mais importantes da empreendedora do futuro — e entenda futuro como agora — será a capacidade de selecionar:

  • quais projetos realmente fazem sentido;
  • quais tecnologias agregam valor ao negócio;
  • quais relacionamentos precisam ser fortalecidos;
  • quais conteúdos merecem ser consumidos;
  • quais atividades podem ser delegadas;
  • e, principalmente, o que deve ser deixado de lado.

 

Foco não significa fazer mais. Foco significa escolher melhor.

Falar sobre atenção é apenas o começo da conversa. A próxima pergunta é para provocar você, empreendedora: se a tecnologia promete nos devolver tempo, por qual motivo tantas pessoas se sentem cada vez mais ocupadas?

No próximo artigo, vamos refletir sobre o futuro dos pequenos negócios liderados por mulheres, o papel da tecnologia na rotina empreendedora e como criar espaços de reconexão, criatividade e bem-estar em um mundo que parece nunca desacelerar.

Até lá, deixo mais uma reflexão:

Se a sua atenção é um dos recursos mais valiosos que você possui, em que ou em quem você está investindo esse patrimônio todos os dias?

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Noscilene Santos

Escritora, Empreendedora, especialista em T&D, Coach e Mentora de Carreiras

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