O empreendedorismo feminino no setor de confecção e moda é um dos principais motores de emancipação financeira e liderança das mulheres no Brasil.

Nancy Assad – Diretora da ASSIMPI/SIMPI Mulher – jornalista, especialista em Comunicação, Comportamento e Marketing

Historicamente associado ao trabalho doméstico e à costura artesanal, o segmento têxtil transformou-se em um campo fértil para negócios inovadores, que vão desde ateliês de costura sob medida até e-commerces e marcas autorais de moda.

O panorama desse setor revela barreiras estruturais significativas, mas também aponta caminhos para a sustentabilidade dos negócios.

A maior parte das empreendedoras está na faixa produtiva madura, entre 30 e 49 anos, e muitas utilizam o lucro da confecção como principal fonte de sustento de suas famílias.

Desafios enfrentados pelas empreendedoras

Apesar do crescimento registrado na última década, gerenciar uma confecção impõe obstáculos específicos ao público feminino, tais como:

Acesso a crédito: instituições financeiras ainda impõem barreiras rígidas e exigências de garantias que dificultam o financiamento de maquinário por mulheres.

Dupla jornada: a conciliação entre a gestão da produção, os prazos de entrega e as responsabilidades familiares gera sobrecarga física e mental.

Valorização da mão de obra: superar o estigma da costura como mero trabalho manual sem valor técnico é fundamental para estabelecer preços justos e competitivos.

Tendências e oportunidades na confecção

Para se destacar em um mercado altamente competitivo, marcas lideradas por mulheres têm apostado em nichos estratégicos, como moda sustentável, uso de tecidos orgânicos, reaproveitamento de retalhos (upcycling) e produção local. Esses produtos atraem consumidores conscientes e reduzem o desperdício de matéria-prima.

Nicho infantil e plus size: confecção sob medida para públicos frequentemente negligenciados pelas grandes indústrias. Esse segmento pode proporcionar margens de lucro mais elevadas em razão da personalização e da fidelização dos clientes.

Digitalização: migração do modelo tradicional de pronta entrega para e-commerces e vendas por redes sociais. Essa estratégia amplia o alcance geográfico e reduz os custos fixos associados a uma loja física.

Recomendações para fortalecer o negócio

Busque capacitação: além de dominar a modelagem e a costura, a empreendedora deve investir em cursos de gestão financeira e precificação de produtos.

Organização do fluxo de caixa: separe rigidamente as contas pessoais das contas da confecção para evitar o endividamento do negócio.

Os produtos oriundos da confecção são atrativos para diversos públicos, sendo, portanto, um segmento promissor para o empreendedorismo feminino.