Agropecuária lidera pedidos de Recuperações Judiciais em 2025
Felipe Prince Silva
Economista, Ms. Economia Agrícola, especialista em
finanças e agronegócio (www.fprince.com.br)
A agropecuária
foi o segmento com maior número de CNPJs que entraram em Recuperação Judicial
em 2025. Esta informação foi divulgada pelo SERASA, comparando o histórico de
pedidos de Recuperação Judicial desde 2012 em 4 diferentes segmentos da
economia brasileira, conforme pode ser visto na Figura 1:
Figura 1 – CNPJ – Recuperações Judiciais Requeridas por setor
Fonte: SERASA
Em 2025, o
segmento da agropecuária registrou 743 pedidos de Recuperação Judicial,
superando os segmentos de comércio, indústria e serviços. Foi a primeira vez
que este movimento aconteceu na economia brasileira. É importante destacar que
essa estatística considera apenas CNPJs.
Agora, quando
nós fazemos uma análise envolvendo também produtores rurais que atuam como
pessoa física, esse número de pedidos de Recuperações Judiciais é ainda maior,
chegando a 1.990 pedidos em 2025, conforme gráfico a seguir:
Figura 2 – CNPJ – Recuperações Judiciais Requeridas
no Agronegócio (produtores rurais e empresas)
Fonte: SERASA
E onde estão
distribuídos estes pedidos de Recuperações Judiciais?
Nós sabemos
que o Brasil é muito grande, cada região e cadeia produtiva têm a sua dinâmica
própria, por isso, nós vamos mostrar para você no mapa os estados que lideram
esta lista de pedidos de Recuperações Judiciais em 2025.
Figura 3 – Estados com pedidos de Recuperações Judiciais
no Agronegócio em 2025
Fonte: SERASA
Os dois
estados com maior número de pedidos são o Mato Grosso, com 332 pedidos e Goiás,
com 296 pedidos. Depois, temos o estado do Paraná, Mato Grosso do Sul e Minas
Gerais. São todos estados com forte importância na produção agropecuária do
nosso país.
Vale reforçar
que os pedidos de Recuperações Judiciais continuam aumentando no primeiro
trimestre de 2026, como reflexo de um cenário de dificuldades financeiras para
o segmento, que encontra juros elevados, restrição de crédito e custos de
produção em alta, especialmente com o aumento da duração do conflito no Oriente
Médio, que traz um aumento dos custos de produção, como combustíveis,
fertilizantes e produtos químicos.
Neste sentido,
observa-se um aumento do grau de endividamento das empresas que atuam no setor,
que enfrentam dificuldade de gestão de fluxo de caixa, dificuldades de
renovações de linhas de crédito e queda do grau de investimento em maquinários,
expressando assim uma situação que pode se agravar com o atual cenário
econômico global e brasileiro, aumentando a insegurança para quem atua no
segmento.